Com o aprofundar dos traços faciais
Nota-se a velhice fazendo morada
A tinta descasca, o portão enferruja
E isso já não importa mais nada
A vida foi jogada às traças
O tempo corre, mãos ficam trêmulas
A palidez consome como câncer
As faces jovens de outrora
A cadeira de balanço aguarda-me
E a doença tomou meus olhos
Morreram os romances e as metáforas
Restam-me o alvorecer das auroras.
Um dia acordarei morto, e meus pés terão problemas em alcançar o chão. O frio já não será uma vaidade, será medo de não morrer resfriado. As cores vivas me darão náuseas  e as mortas me trarão solidão. A cegueira será o sepulcro de meus olhos esbranquiçados, que choram pela chegada da morte, quando a carne ainda pulsa, mas já não há sorrisos a serem dados. As memórias serão minhas vestes, e no escuro a lua é perpétua. Jaz por ai, um coração remendado, insano, tirano, perdido, e eternamente apaixonado. - Annd Yawk.

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