— Um, dois, três indiozinhos, quatro, cinco, seis indiozinhos, sete, oito, nove indiozinhos, dez no pequeno bote. 
— Meu Deus amor, fica quieta.
— Canto tão mal assim?
— Não, mas olha o que está cantando.
— Cultura, uai.
— Cultura infantil.
— Eu sou criança.
— Mas que criança gostosa você é.
— Amor…
— Tô mentindo?
— Sim… Eu tô gorda.
— Onde que tu tá gorda mulher?
— Na barriga, idiota.
— Gostosa.
— Cego
— Tu poderia tá gorda, ter uma perna só, ser careca e mesmo assim eu me apaixonaria.
— E se eu fosse banguela?
— Também.
— E se eu fosse homem?
— Aí não.
Ela ri. — Bobo.
— Sou mesmo.
— Admitiu, as pessoas sempre admitem a verdade.
— Gostosa.
— Já disse que não sou.
— Quanto tempo você vai demorar para admitir a verdade?
— Mas não é verdade.
— Tá bom, gordinha.
Ela faz bico. — Acha mesmo que tô gorda?
— Você tá gostosa.
Ela sorri. — Imbecil.
— Não sou.
— É o que então?
— Imbeseu.

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